quinta-feira, 19 de maio de 2016

Branco


Uma pedra solta em terra molhada
A brisa que entra deste mar revolto
Espuma branca nas ondas
Um navegar
Pisar sem deixar rasto
Ou lembrança apenas
Seja de mudança ou crença
Ou simples olhar
Afinal o mundo não desaba
Nem o olhar termina aqui
Um dia vou voltar
Descalço por esta praia
De areia fina e sem pedra
Que me possa magoar

Incerteza...


Fugi de mim mesmo
Numa rua sem gente
A luz essa era escassa
E eu dentro desta mordaça
O zunido do vento
Sem vista para o monte
O uivar mesmo de fronte
De pés molhados
Sem camisa
Só eu e a escuridão
Neste vão da incerteza
Do que vamos ter à mesa
No sofrimento
Deste tempo atroz
Que se parte atrás de mim

Sem ter fim
E muito veroz

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Um dia igual a tantos outros...


Um dia igual a tantos outros onde o vento sopra quente e o olhar se distancia na planície.
Entre nós que nos olhamos frente a frente, existe a distancia do pensamento, a frieza da sagacidade dos tempos que correm, a aveludada paixão que nos entranha os ossos com pensamentos, muitos deles de outros tempos de outras paragens onde o sol deixava-nos queimar o corpo em águas frias do norte.
Existe sim um amor diferente um amor que se deixa embrulhar nesse mesmo olhar de sempre, mesmo que os tempos sejam diferentes nada nesse olhar é diferente.
Mudanças que andanças de norte a sul de este a oeste, mas sempre aqui na minha sombra ou eu tua própria sombra me deixa embevecido no teu andar no teu olhar.
Pessoa diria que cartas de amores são ridículas por isso esta é puramente ridícula não só pela prosa mas também pela comparação.
No ínfimo do teu olhar sinto o teu amor, a tua raiva e muitas vezes a tua desconfiança, e, será essa a morte.
O amor é tão puro tão forte que com uma simples mudança de tempo ele se retrai ele se ausenta mas fica retido por breves segundos volta como a chuva tivesse parado como o vento que zunia desse vez à íris.
Descrever o imaginável em palavras em emoções dando-lhe cheiros e cores sabores e dissabores é o poder da palavra.
Estragão previne o coração.
Gengibre dores de cabeça.
Hortelã azia.
Manjericão alivia a tosse.
Poejo previne a asma.
E tu a minha alma.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

DORMITANDO


Sentado na poltrona no silêncio do sono
Dormindo ao meu lado bem desapegado
Tento entrar sem ser seu dono
Não me deixe pelo forte do sono
Navego em águas profundas
Do silêncio ou da razão
Os medos apoderam-se aqui mesmo
E sinto uma pontada no coração
Não sei porque lhe acontece estas coisas
Doridas sem dó nem piedade
Duma criança que sente o que sente
Na vida que tão pequena lhe dá
Dureza entre a aflição
Pureza duma mocidade
De chupeta na boca como durão
Desta terra inocente idade
Partir para casa tantas vezes me diz
Para o aconchego da família
Uma lágrima escorrega-lhe pelo nariz

E adormece aqui mesmo ao meu lado.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sem pena..sem dor..


Criei dentro de mim uma força e uma nova alma
Senti a tua falta dia após dia nesta casa solitária
Nestas tardes de espera nestas tardes de calma
Onde o teu olhar era o meu descanso e sorria

Parto de noite pelos corredores escuros a dormitar
Almas que descansam dos seus afazeres escolares
Sinto ao de leve o seu respirar o seu sonhar
Adormeço nas calmas e sonho com esses olhares

Vem e não vem depende da manhã
Depende de tantas coisas que já falamos
Espero comer o cozido com sabor a hortelã
E sentir aquele beijo porque nos amamos

Por fim sinto a lágrima a escorregar
Nem sei bem porque escorrega ela
Se somos felizes  se somos assim
Um povo sofredor dentro de outro
Tenho na mão uma flor de jasmim
Sei lá até me cheira mais a alecrim
Mas isso eu não quero que tenhas pena de mim

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Indignado(s)



O grito que aperta a minha garganta
Nem me deixa gritar ao descontentamento
Que sinto por esta terra que me espanta
A passividade de quem nos comanda

Roubam-nos tudo até a alma
Vendem-nos os anéis ao desbarato
Fecham-se em solares na calma
De bracelete e com rato

Escrevem todos os dias
Como indignados e a sofrer
Com o que roubaram sem pedir
Nem tempo lhe dá para viver

Passeiam-se pela avenida em vidros fumados
Com plumas e braceletes reluzentes
Enquanto o povo sofre com os seus amados
Haja guerra que nem nos vêem os dentes

Pão e água...



A força que se tem sem o demonstrar
A terra que se pisa sem se pisar
O grito que garganta dá sem se ouvir
O poço que já não tem água vai sucumbir
A dor que me atormenta sem dor
A criança que sorri sem se ver
A marcha que toca sem se ouvir
E tudo a minha roda vai cair

É esta a força que irá ruir
Ou será essa que vai vencer
Se tudo o que sinto me faz sofrer
Nem tudo o que sofro me faz cair

É um povo na sua própria agonia
Sufocado com tanta ironia
Vai sair à rua sem medo de nada
Gritando por uma nova alvorada

Crianças sem escola nem papel
Uma mãe que lhe dê de comer
Mantêm por enquanto o sorriso
Quem sabe para a ver morrer

Foram estes os Homens da desgraça
Que inchados partem para outros horizontes
Deixando para trás as suas trapaças
E que até nos secaram as fontes

Será guerra ou paz nem eu sei bem
Mas que nada de bom virá por aí
Se aos nossos faltar o comer
Eles tombam a bom ver

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Caminhada....


No caminho longo que percorro
Do baldio verde à minha frente
Tenho o coração bem quente
Mas não vou pedir socorro

Minha gente meu povo
Minha alma que me deixas assim
Só a ti ainda hoje louvo
O que aprendi ao pé de ti

Levaste no olhar o seu carinho
E um pouco de todos nós
Vai agora devagar pelo caminho
Esperando sem pressas por todos nós

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Do lado de lá da minha janela....


 
Nesta janela onde me revejo
Onde sinto o meu coração
Espero de mão estendida o beijo
Fico com grande palpitação

Seja duro lento e seguro
Nas colinas onde me perco
Lá no fundo da tristeza
Afinal estamos bem perto

La no fundo da tristeza
Fico só mas a pensar nela
Vejo-a partir de segunda a sexta
Tocam os sinos do carrilhão
Que ficam ali mesmo a mão

O frio aperta
Fecha a janela
Coloca o xaile do alento
Cuidado com esse vento

Levas no olhar molhado o teus filhos
Deixas para trás as tuas lembranças
Segues de olhos fechados trilhos
Que na volta vês duas crianças

Abres o coração entre praças
E por momentos lembras-te de mim
Em paragens de outras graças
Sinto o teu sorriso sem fim

Olhos molhados aqui ao meu lado
Em murmúrios perdidos no meu embalar
Chamam pela mãe quase calado
E cai de sono mas a chorar

Do outro lado não feches a porta
A luz acesa o frio que entra
Eis a minha sorte
Ou a minha morte
A cegueira que se junta à canseira
O telefone que não toca
A net que se foi
E a semana que vai a meio