quarta-feira, 23 de maio de 2012

Indignado(s)



O grito que aperta a minha garganta
Nem me deixa gritar ao descontentamento
Que sinto por esta terra que me espanta
A passividade de quem nos comanda

Roubam-nos tudo até a alma
Vendem-nos os anéis ao desbarato
Fecham-se em solares na calma
De bracelete e com rato

Escrevem todos os dias
Como indignados e a sofrer
Com o que roubaram sem pedir
Nem tempo lhe dá para viver

Passeiam-se pela avenida em vidros fumados
Com plumas e braceletes reluzentes
Enquanto o povo sofre com os seus amados
Haja guerra que nem nos vêem os dentes

Pão e água...



A força que se tem sem o demonstrar
A terra que se pisa sem se pisar
O grito que garganta dá sem se ouvir
O poço que já não tem água vai sucumbir
A dor que me atormenta sem dor
A criança que sorri sem se ver
A marcha que toca sem se ouvir
E tudo a minha roda vai cair

É esta a força que irá ruir
Ou será essa que vai vencer
Se tudo o que sinto me faz sofrer
Nem tudo o que sofro me faz cair

É um povo na sua própria agonia
Sufocado com tanta ironia
Vai sair à rua sem medo de nada
Gritando por uma nova alvorada

Crianças sem escola nem papel
Uma mãe que lhe dê de comer
Mantêm por enquanto o sorriso
Quem sabe para a ver morrer

Foram estes os Homens da desgraça
Que inchados partem para outros horizontes
Deixando para trás as suas trapaças
E que até nos secaram as fontes

Será guerra ou paz nem eu sei bem
Mas que nada de bom virá por aí
Se aos nossos faltar o comer
Eles tombam a bom ver

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Caminhada....


No caminho longo que percorro
Do baldio verde à minha frente
Tenho o coração bem quente
Mas não vou pedir socorro

Minha gente meu povo
Minha alma que me deixas assim
Só a ti ainda hoje louvo
O que aprendi ao pé de ti

Levaste no olhar o seu carinho
E um pouco de todos nós
Vai agora devagar pelo caminho
Esperando sem pressas por todos nós

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Do lado de lá da minha janela....


 
Nesta janela onde me revejo
Onde sinto o meu coração
Espero de mão estendida o beijo
Fico com grande palpitação

Seja duro lento e seguro
Nas colinas onde me perco
Lá no fundo da tristeza
Afinal estamos bem perto

La no fundo da tristeza
Fico só mas a pensar nela
Vejo-a partir de segunda a sexta
Tocam os sinos do carrilhão
Que ficam ali mesmo a mão

O frio aperta
Fecha a janela
Coloca o xaile do alento
Cuidado com esse vento

Levas no olhar molhado o teus filhos
Deixas para trás as tuas lembranças
Segues de olhos fechados trilhos
Que na volta vês duas crianças

Abres o coração entre praças
E por momentos lembras-te de mim
Em paragens de outras graças
Sinto o teu sorriso sem fim

Olhos molhados aqui ao meu lado
Em murmúrios perdidos no meu embalar
Chamam pela mãe quase calado
E cai de sono mas a chorar

Do outro lado não feches a porta
A luz acesa o frio que entra
Eis a minha sorte
Ou a minha morte
A cegueira que se junta à canseira
O telefone que não toca
A net que se foi
E a semana que vai a meio