quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Criei dentro de mim um mundo


Criei dentro de mim um mundo

Dentro dele um pequeno sonho

Nunca saberei ao certo o rumo

Palavras que aqui me proponho

Vida com seus sabores de vitória

Misturada com alguns dissabores

Sinto unicamente a minha glória

De ter por perto os meus amores

Gosto de escrever palavras bonitas

Palavras com muitos odores

Mas são estas aqui escritas

Que sinto agora sem pavores

Longe o meu tempo de escola

Saltimbanco dentro do meu País

Fui do centro norte e do sul

Do lugar onde o meu Deus me quis

Agora nem sei para onde irei

Mas a verdade não perco tempo

Um dia talvez o sentirei

Que tudo fiz ao sabor do vento

Mas olhar para o último rebento

Sinto um pouco de mim

E no seu olhar já atento

Tem tanto de ti



terça-feira, 7 de setembro de 2010

De nós para ti…

Luis-Artur-Fernando-Gonçalo-Francisco

Palavras que se lançam como farpas
Num animal ferido já de morte
Fugindo pela encosta acima
Tentando mais uma vez a sua sorte

Criei dentro de mim um Mundo
Um palco de vida e um sonho
Por vezes vou bem ao fundo
Mas sei muito bem o que proponho

Carrego na alma a tristeza da partida
De quem amava a família tão bem
Agora vamos juntos achar uma saída
Para que o seu nome seja de alguém

Dois netos duas formas diferentes de olhar
De tons azuis e negros
Uma brisa que se sente no ar
A cada momento um choro
Ou simplesmente um piscar
Ambos risonhos isso lhe podemos dar

Carregamos estes amores mais do que dois
São cinco flores
Alguns espinhos
E muitas dores
Mas dentro de nós prevalece
O amor que aprendemos
Quem sabe dos que partem
Dos que ficam
Logo veremos

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Passos em frente


Com os meus olhos embebidos em tristeza
Escrevo palavras que agora sinto
Desta forma forte e com a certeza
Das cores com que as pinto

Partiu
Não vale pena parar
Naquela cama deitado
De olhos bem fechados
Até o coração batia
Num compasso acelerado
Não sofria pensávamos
Estava dormindo
Um sono atroz
Tantos fios
Tantas máquinas
Nem sorriso
Nem olhar
Um respirar ofegante
E tão distante
Partiu
Como já sinto a falta
Das conversas de família
Do seu pensar
Seu olhar
Da sua forma de estar
Do acarinhar
Levas contigo um pedaço de nós
E dentro de nós pedaços de ti
Agora o olhar em frente
E contigo sempre presente

Porque partiste precisando nós tanto de ti.

Para ti (Pai)


Tudo o que sonhava fazer, em prol da família, que estimava muito, se desmoronou, nesta ultima viagem, apesar de ter lutado com todas as suas forças.

Um mal entranhou se lhe no corpo e nunca mais o libertou. levou consigo os seus sonhos, a sua força, o seu sorriso de desafio à vida.

Neste último ano e meio estivemos mais perto, das conversas que agora levarei para sempre comigo, ressalvo o seu espírito de luta, a sua forma de ver a vida, a sua força e retidão de carácter. Relembro os netos que o rodeavam e acariciavam a sua barba branca. Os conselhos que todos ouviam com deferência… De todas as dores, que trago comigo, a sua perda é de certo, a mais sentida.

Ao longo deste tempo estivemos muitas vezes distantes, mas essa distância foi unicamente física, porque tanto eu como ele, estávamos sempre presentes com as nossas formas de ver o quotidiano e sempre unidos nos momentos difíceis.

A ti dedico este meu poema:


Pela tua mão aprendi a caminhar

Sem que fosse necessário andarilho

Aprendi a ler e a estudar

E mais não fiz esse foi o sarilho


De malas aviadas vezes sem conta

Por estradas deste nosso Portugal

Corremos de ponta a ponta

Agora olho da torre e vejo o trigal


A tua terra verde e castanha bem misturada

Que nem sempre foste compreendido

Começavas sempre pela alvorada

Regressavas sempre rendido


Resolveste partir sem remorsos

E se alguém inveja te tinha

Tantas vezes controversos

Deixas-te para eles a tua rainha


Levei-te à última residência

E nesta curta passagem

Revivi os tempos infância

E senti uma nova aragem


Era eu miúdo de calções

E na rua B eu brincava

Levei então uns safanões

Pelo que no momento fumava


Ao longo dos anos essa imagem ficou

Nenhuma outra recordação

Pelo facto da palavra vingou

Entre nós e o coração


Partiste de missão cumprida

Sem nunca te curvares

Alguns ficaram sem pinga

E com a dor de os amares


09/08/2010

Um beijo do teu filho.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Recanto do encanto...


Queria dormir no teu regaço

Sentir o teu respirar na minha face

Enfim tudo o que queria era um abraço

Por isso tudo o que faço no enlace

E sentir o teu respirar

No teu olhar adormeço sossegado

Dos meus medos do mau-olhado

Mas sinto o coração a bater

Tão devagarinho sem tremer

E sentir o teu respirar

Deixa-me deveras desafogado

Desta vida enfadonha

Que é esse o nosso viver

Sem dor sem medo sem vergonha

Do que somos hoje em vida

Do que somos sem viver

Nunca a damos por perdida

Porque ao nosso lado o nosso amor

Crianças de peito feito

Sem saber o que por ai vem

Mas vão andando cada um a seu jeito

Sem medo do amanha

Adormeço neste berço do teu regaço

Aqui nesta sala sem barulho

Sinto sim o teu abraço

Fecho os olhos e mergulho

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tapete ..solitário

Pazyryk, o mais antigo tapete persa conhecido, com cerca de 2500 anos, encontrado em uma geleira na Sibéria

O sol entra pela janela aquecendo o meu corpo.

No chão deitado ali mesmo ao meu lado um tapete,

Que nada diz pelo facto de estar só e com pó.

As suas riscas, desbotadas pelo tempo,

As franjas já esbranquiçadas,

Tem os dias contados.

Vai ficar só.

Mas o sol, esse, continua a entrar com mais força

Os traços no chão, persianas semi-corridas

Afinal ele, o tapete, ainda tem utilidade.

Não fico com os pés frios,

Ele até sente uma certa vaidade

Já não está só.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Solidão…



Carrega o seu vestido negro
Que o tempo perdeu a memória
Lá longe dos seus sem pego
Perdeu ele a sua vitória
Ficou gravado na pedra
Que o Homem decidiu escrever
Longe dos seus fica sem sorte
E ninguém o pode valer
Agora com o menino no ventre
Hoje Homem feito sem nunca chorar
Ele ainda agora não sente
A falta que lhe fez um Pai para adorar
Mas a guerra com tantos que levou
Outros tantos que daqui fugiram
Por fim Abril chegou
Felizes os que não sentiram

Saudade !!!


Saudade
Que se sente dentro de nós
Que nos doem
Que nos corrói
Nos deixa morrer
Como lágrima que corre sem parar
É um eterno sofrer
Este inferno
Que nos faz viver
Sem rosto
Nem memória
Saudade
Palavra que se vai com o vento
Que os pobres nem tem tempo
De a sentir
No seu leve latir
Na sarjeta
Desta terra despida de sentimentos
Onde agora nem sei onde vai parar
Fica a saudade

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quero acordar…



Uma força dentro de mim grita

Um grito sem som

Mas se a vida alguma vez me irrita

Deve ser do seu tom

As palavras ferem como setas

Os olhares esses distantes

Nos ombros tu próprio acarretas

Os afazeres possantes

Vida para lá da morte

Musica sem orquestra

Afinal qual a minha sorte

Se aqui mesmo morro nesta

Vou acreditar

Que afinal há vida para lá da morte

Senão nada vai ser igual

Pobre da minha sorte

Gritar para que se ninguém me ouve

Ouvir porque se estou só

Não

Acorda que estás vivo

E lá fora há vida e te esperam

Os filhos e mulher

Acorda

A dor que sinto...



Carrego no meu peito a dor de mim mesmo

Nas minhas mãos o sofrimento do momento

Por onde apareço escondido neste esmo

Depois vagueio nas palavras sem tempo


Sinto dentro de mim um grito abafado

A minha vista não me deixa ir mais longe

Quem sabe se são sinais de um ser abalado

De regresso à abadia onde foi monge


De sandálias calçadas e túnica corrida

Vou beber a esta fonte de água fresca

Por onde já em tempos foi aferida

E amor brotou nesta fonte pitoresca


Ai de mim em pedaços entrelaçados

De mãos amarradas nestas ameias

Cerram-me os olhos e amordaçados

Sinto a chegada das alcateias


terça-feira, 4 de maio de 2010

Palavras corridas...



Escrevo por palavras sem obscuridade
Que levo na alma e no meu saber
Lhe dou tons e alguma musicalidade
Para que possas ouvir e reler

Muitas palavras ficam escondidas
Tantas outras ali a nossa frente
Mas são tantas que estão perdidas
Que não me lembro de todas de repente

Fecho os olhos e deixo correr os dedos
Neste teclado negro com escrita branca
Muitas delas serão os meus segredos
Que coloco em todos uma tranca

Segura na minha mão e sente o coração
Pelo tempo que passa sem te ouvir
Basta um toque ao de leve na minha mão
E logo poderei finalmente sentir

Uma mão que toca levemente
Um raspar mesmo a dormir
Esse teu toque tão docemente
Que me embala e faz sorrir

Não acordo mas deixou-me levar
Pela noite que passa a correr
Até que logo o ouço gritar
Não de dor mas quer comer

Tudo negro...



Não sei se o momento é o mais próprio
Mas decerto que vou escrever
Não bebi nem comi e estou sóbrio
De resto pouco ou nada escrevo do saber

Virei páginas de uma montra virtual
Onde encontrei tema de conversa
Mas afinal onde é que fiquei mal
Se nada do que li me interessa

Escrevo isso sim momentos de vida
Altos de um sorriso passageiro
Terras negras só com uma ida
E aqui vou eu de pé ligeiro

Não corro mas não estou parado
Revivi e vi lutas sem muita dor
Em quase todas não fiquei abalado
Mas senti dentro das pessoas o pavor

Terra é de quem a trabalha
As cebolas de quem as apanha
Afinal com tudo isto quem é que ganha
Se não sei se tenho trabalho para semana

Tudo negro
Bandeiras e a correria para o cemitério
Esta tudo no prego
A vida os sonhos tudo é um mistério

Como vamos terminar
Talvez no banco do jardim
Como sempre fizemos a olhar
Esperando que tudo tenha um fim