
Na crença das palavras onde o sonho predomina
Nas aves de rapina que ao longe esperam calmas
Em qualquer lugar do meu imaginário termina
A fúria de ver palavras risonhas nas palmas
Cerro os dentes para gritar abafado
No frio gelado da manhã que nasceu
Olho no mirante o passageiro abandonado
Escavando o buraco com sua camisa ao léu
De cigarro na boca meio de lado
Fura a pedra dura da estrada em vão
Outro dia será melhor calculado
Para isso será necessário dar-lhe a mão
Em muitos lugares por onde passei
Vi arvores flores e passarada
Vi um pouco de tudo até imaginei
Que agora anda por ai espalhada
Escrevem e deslizam pelas palavras
Pontuam onde devem pontuar
Criticam o não sabem criticar
E mandam beijos só por mandar
E aqui estou surdo neste emaranhado
Nas palavras que me correm nas veias
Enfim esta tudo embrulhado
Com papel e cheio de teias
Lá longe ouço o sino a tocar
Toca arrebate no cume da aldeia
É a minha forma de desabafar
Antes que fique com apneia